Como falar de algo que, julgamos nós, existiu desde sempre? Como apresentar algo concreto sendo o amor tão abstrato? Existirá mesmo o amor ou é algo ficcionado pelo ser humano?
Podendo descrever várias tipologias de amor, concentro-me apenas no amor romântico, o mais ansiado, suspirado e tão difícil de ser encontrado.
Uns dizem que a busca incessante de amor provoca uma enorme frustração naqueles que o procuram, sendo a percentagem de sucesso muito reduzida.
Mas se a procura é tão grande, porque não é a oferta de igual proporção?
Olhando ao meu redor, quantas pessoas posso contabilizar que efectivamente encontraram o amor da sua vida? Ou estarei a ser redutiva e na verdade, ao longo da nossa vida, temos encontros amorosos por diversas vezes?
Acredito que a nossa procura é prejudicada por imensos preconceitos, por imagens armazenadas no nosso inconsciente, por conversas com amigos, por livros e poesias demasiado românticos.
Parto do princípio que a frustração e desalento façam parte da busca amorosa.
Ponho-me à procura daquilo que descrevem como o expoente máximo dos sentimentos, a estrela polar da vida, a falta de ar constante quando a pessoa amada não está por perto.
O amor. O amor por quem tantas donzelas suspiraram. O amor desconcertante, tempestuoso, arrebatador.
O amor suspirado por tantos trovadores aos ouvidos das suas amadas.
Na minha procura receio confundir paixão com amor. Porém reflicto e verifico como são duas coisas tão distintas, tocados em compassos diferenciados. A paixão encontra-se no primeiro andamento, acelerado, sem pausas, sem semibreves. Provoca arrepios, apressados batimentos cardíacos.
O amor não. O amor é o segundo andamento, vagaroso, arrebatador contudo calmo, com pausas e suspensões.
Confiamo-nos a esse alguém, na certeza que o amor é mútuo, que o sentimento é vivido ao mesmo ritmo. E de tanto confiar, amar e compreender a nossa metade, vemo-nos a braços de aceitar tudo, de perdoar o imperdoável e esquecer o que não pode ser esquecido. Fazemos cedências, não para nos diminuirmos mas para crescermos e descobrir que o egoísmo não possuí lugar no amor.
Fazemos de tudo para surpreendermos quem amamos e surpreendemo-nos do tanto que fazemos para quem amamos.


