Hoje estou melancólica.
Passo os olhos pelo telemóvel sem nada fixar.
Penso nos nossos momentos juntos e como não tem sentido eu continuar a pensar em ti se não é em mim que pensas.
Imagino a tua vida daqui a uns anos. De que é que serve tudo aquilo que tens se o vais viver sozinho. Imagino-te no sofá solitário a apreciar uma série qualquer na televisão enquanto faz frio lá fora. Imagino-te com uma mulher, uma de muitas que já tiveste na tua cama e mais uma vez o sexo que tens com ela não significou nada. Foi mais uma noite de sexo sem qualquer significado, um aliviar de tensões e esperma. No dia seguinte levantaste e vais trabalhar um pouco mais contente pela noite quente de sexo. No decorrer do dia esse contentamento vai-se desvanecendo à medida que o vazio que te consome por dentro te invade. Esse vazio destruidor que pode ser camuflado pelas viagens, pelos restaurantes ou pela conversa com os amigos, porém no final do dia lá está ele a invadir-te.
O teu medo de sofreres é maior do que esse vazio e então preferes que o vazio te acompanhe ao invés de dares uma oportunidade ao amor.
Imagino que podia fazer-te feliz. Imagino-me de novo na tua cama, a invadir o teu espaço. Imagino nós os dois na praia de mãos dadas, a fazer patetices que só os apaixonados fazem.
Imagino tantas coisas, porém sou sugada para a realidade à medida que o relógio soa as seis da tarde. Resigno-me à minha condição de estar sem ti mais um dia, na esperança que a paixão que sinto por ti acabe por se desvanecer. Faço o caminho até casa com melancolia no peito, com recordações na mente e uma vontade louca de estar contigo.
Imagino-te a mim e a ti.