quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Capuchinho vermelho e lobo mau


A festa começa agora. O ambiente é de glamour e elegância. Venho de vestido comprido vermelho com uma racha sensual que põe a descoberto as minhas pernas.
Vejo o teu olhar de gozo, de satisfação e de lobo. Sim de lobo, aquele teu olhar com urgência em ter-me, com vontade de percorrer a sala cheia de convidados, afastá-los de mim e ter-me nos teus braços enquanto me beijas com fervor.
Nesta festa usas o fato preto, com uma camisa cinza e tens o teu olhar amarrado ao meu.
O champanhe brinda a nossa paixão.
Os convidados falam contigo e enquanto os entreténs, os teus olhos parecem os de um falcão que a surpreender a presa com as garras afiadas.
Dirijo-me a ti e denoto algumas observações que saboreio com gozo. Afastas aqueles que te rodeiam e beijas-me, num beijo lento e saboroso. Agarras-me a mão encaminhando-me até à varanda, onde a brisa fresca arrepia a minha pele, no entanto o teu toque aquece-me, queima-me por dentro. Não sei como o fazes, porém tens a capacidade de me excitar com os teus olhos de lobo mau e esse teu toque, ai esse toque que me leva à loucura antes de tudo começar.

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

Para aquele de quem gosto 3

Meu amor 
tenho ânsias de te dar o meu amor. De te envolver nos meus braços e sentir o bater do teu coração junto a mim.
Quero sentar-me no sofá contigo e falar de banalidades, de coisas sérias, de rir e de fazer amor.
E depois dos nossos corpos estarem exaustos, juntamo-nos e deixamos a exaustão assumir o seu papel, fechamos os olhos e adormecemos.
Quero acordar ao teu lado e despertar-te com beijos. Preparar algo para comer na cama e deleitarmo-nos novamente nos lençóis.
Quero gostar de ti, quero amar-te e enfrentar o mundo contigo assim, no aconchego da noite, na aventura do dia e pela vida.

sábado, 2 de janeiro de 2016

Amar-te


Amar-te é como voar sem pára-quedas, é correr sem chão, e saltar sem corda. 

Amar-te é enlouquecer por momentos.
É agarrar-me ao vazio, andar às escuras e ver o sol sem protecção.
Amar-te é uma loucura mas uma loucura boa.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2015

Rafaela I

Rafaela deambulava pelas ruas em busca de algo que não sabia exactamente o que era. Passavam por si todo o tipo de pessoas às quais tentava decifrar as suas vidas, angústias e desejos. Quiçá também eles com as mesmas dúvidas que ocupavam agora a sua mente.
A tarde apresentava-se quente, o sol dava ânimo aos corredores, às aves que buscavam alimento no rio e a todos os seres que por ali andavam sem serem vistos. As crianças brincavam energicamente ao longo do paredão. Porém nada daquilo era relevante aos olhos de Rafaela, insistindo num olhar vago, numa melancolia sem fim. Talvez o calor a fizesse assim, pensava, ao mesmo tempo que sabia iludir-se com tais pensamentos. A causa de tanto pensamento era só um e chamava-se Rodrigo.
Rodrigo veio inquietar-lhe a paz de espírito. Era a revolução quando ela era a acalmia. Ele não estava nos seus planos. Tinha uma carreira de sucesso, viajava quatro a cinco vezes por ano, a casa que idealizava, assim que dramas amorosos não faziam parte da sua rotina. No entanto, Rodrigo era uma presença constante no dia-a-dia dela.  E tudo mudou num dia quente no terraço de casa, quando permitiu que aquele homem entrasse e a tomasse nos braços.

Saudades



Tenho saudades loucas de estar contigo. Choro a tua ausência. Queria-te aqui comigo. Podes ficar comigo?
Tenho saudades dos namoros de criança que se decidiam com uma cruz num papel, sim ou não. 

Hoje os sentimentos são deveras complexos. E não queria a complexidade e sim a simplicidade. 
Queria o amor apenas e só. Queria-te a ti sem mais. Podes ficar comigo?

domingo, 27 de dezembro de 2015

Catarina e Rodrigo



À medida que Catarina observava o ambiente envolvente, a boca secava, o coração batia mais forte e um calor invadia-a. Por mais que gostasse de sair com as amigas, Catarina demonstrava uma vontade enorme de estar com Rodrigo. Talvez fossem as luzes quentes, o álcool, as roupas curtas com decotes, os fatos de corte elegante, os modos educados das pessoas presentes. Talvez fosse isso ou o desejo desenfreado que tinha de estar com ele.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2015

Natal

As ruas estavam desertas. Todos se encontravam em casa para celebrar a véspera de natal. Os gatos vadios passeavam os seus corpos frios em busca de alimento. Ao fundo ouviam-se músicas natalícias que invadiam o ar. E eu... eu verificava aquele espectáculo enquanto fumava um cigarro às escondidas dos familiares mais próximos. Lá dentro o ambiente era de festa. A mesa estava repleta de manjares fantásticos que faziam as delícias dos mais velhos, que os mais novos esses já só contavam o tempo para a abertura das prendas. Mal entrei o Rodrigo vem ao meu encontro e presenteia-me com um beijo quente e demorado: "estou ansioso para te desembrulhar logo à noite". Sorrio. E assim passava o tempo até ao desembrulhar dos presentes, até ao desembrulhar do nosso amor.