Rafaela dera instruções à Clotilde, a empregada, para deixar a casa num brinco pois esperava convidados. Clotilde que nunca vira convidados naquela casa enorme, estranhou o pedido o qual atendeu, no entanto, imaginava: "Convidados... pois, pois, andas mas é com fogo na saia. Agora com estas modernices até nem me admirava que andasse com uma mulher. No meu tempo não havia nada dessas coisas. Cá mulheres com mulheres qual quê. Valha-me Deus. Também pode ser um homem. Se calhar é o assistente, passa tanto tempo no trabalho que só pode ser ele."
- Clotilde precisa de alguma coisa? - perguntava-lhe enquanto a via estática.
- Não minha senhora. - e assim se recolheu para os quartos onde tinha muito que fazer.
Rafaela estranhou o comportamento da velha mas não deu muita importância, a idade já lhe estava a levar a melhor, pensava.
Entretanto dirigiu-se ao quarto, abriu o armário, observando as roupas mais ousadas que tinha. Porém não as via, não tinha nada sensual para usar no encontro com Rodrigo. "Mas como fui dizer que sim àquele homem? Nem tenho o que vestir. Mas no que é que te foste meter. Estavas tão bem na tua rotina pacata e sem desvios." E suspirava.
- Estou? Daniel? Quero que me compres um vestido. Tenho um encontro esta noite e não tenho nada para usar.
- Ó minha querida. Como é que isso aconteceu?
- Daniel não comeces com as tuas coisas.
- Ai estou tão contente. Finalmente vais limpar as teias de aranha.
- Daniel por favor. E nada de comentar por aí. Já sei como és.
- Sigilo total Rafaela. Às quatro passo aí.
- Muito bem, vou mandar o motorista buscar-te.
- E não queres mais nada? Uma lingerie sensual, um lubrificante, talvez uns preservativos, que esses que tens aí devem ser do século passado.
- Daniel que exagero, mas já agora traz isso tudo - sorriu e desligou. Confiava no seu assistente que estava disponível 24 horas, sete dias por semana. Era isso que esperava de quase todos, pois assim o exigia a si própria.