quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

Para aquele de quem gosto 5

Não sei o exacto momento em que me apaixonei por ti. Sei que um dia o meu pensamento corria sempre ao teu encontro, que a tua imagem me invadia constantemente. Até quando estava rodeada por amigos e família. Quando cozinhava e deixava a água fervente transbordar pelo fogão. Ou ainda quando esperava o metro e o deixava passar. Sei agora que este sentimento que nutro por ti me devasta, que me arranca o amor próprio. Sei que a minha razão não concorda com os modos do meu coração. Que a distância me devolve àquilo que sou, contudo, afasta-me de ti.

É bem verdade o que Blaise Pascal dizia: o coração tem razões que a própria razão desconhece. Talvez o coração ignore as razões da razão. Pois se desse azo à razão estaria longe de ti, o mais longe que alguém alguma vez pode estar, porém a distância espacial não resolve a distância mental. Assim, vou tentar apaixonar-me por outro alguém que me queira ao mesmo tempo que eu o quero, que me deseje como eu o desejo. Que fale comigo como tu nunca me falaste, que me leve a passear apenas pelo prazer da minha companhia. Que debata comigo dilemas e filosofias sem fim enquanto saboreamos um gelado no calor do verão ou enquanto bebemos um chá no frio do inverno. 

Quiçá seremos aqueles que nos amamos estando afastados um do outro. Que nos recordaremos das nossas noites de paixão quando já tivermos construído outras famílias e sentirmos que não é ali que devíamos estar, quando já velhos olharmos para as rugas da nossa experiência e reflectirmos em como estaríamos melhor nos braços um do outro. Quando pensarmos que ninguém compreendia o nosso amor.



Quero ser egoísta


Sim, quero ser egoísta. Quer que me escolhas a mim. Que me ames, abraces e beijes. Não te quero dividir com a loira do pente vermelho, nem com outra qualquer que pense que pode deixar os pensos higiénicos na casa dos outros. Quero que penses apenas em mim quando desejas fazer amor com alguém. E apenas em mim quando te sentes só e queres passear pelas dunas da praia e sentir o vento na cara. 
A divisão não faz parte da concepção do amor. É a união que prevalece e é a união que quero que vejas quando estás comigo e sem mim. 
Sim quero ser egoísta e tenho todo o direito de ser egoísta quando toca aos sentimentos de paixão e amor. Se te queres dividir então não posso fazer parte dessa equação que tentas resolver, sem solução à vista. 
Sim quero ser egoísta. Vens ser egoísta comigo?

terça-feira, 26 de janeiro de 2016

Para aquele de quem gosto 4

Há um sonho que tenho contigo de que gosto particularmente, que me ficou na memória. Estamos os dois sentados na areia e à nossa frente existe um lago enorme, azul, sereno. Sente-se uma brisa a envolver-nos. Uma luz em tons de amarelo e laranja enche o ar. Existe uma felicidade impregnada em nós e no ambiente que nos rodeia. Trocamos carinhos. À nossa volta crianças brincam e riem. Não sei se são nossas ou de outros.
É um ambiente tão bom, um sentimento tão agradável que
me apetece voltar a esse sonho, a esse lugar e ficar ali, naquele conforto de emoções bonitas e apaixonantes.

sábado, 23 de janeiro de 2016

Quando os amigos coloridos se apaixonam

Temos todas estas regras que pautam o relacionamento dos amigos coloridos e uma delas é a de não se apaixonar, pois a partir do momento que se apaixonam as coisas podem correr mal.
Assim, se são amigos coloridos de alguém não se apaixonem, não queiram complicações, o objectivo é esse, sexo sem stress, sem compromissos, sem pensar nos sentimentos e nas necessidades do outro. Apenas foder e foder bem diga-se de passagem, porque se é para foder mal nem vale a pena ir por aí. 
Contactar o outro apenas para fazer sexo é uma das condições. Não falar antes e depois do coito para não entrar em intimidades e confissões. Se uma das partes quer encontros fora da cama é mesmo ignorar, não responder, fazer de conta que nunca viu a mensagem no telemóvel e no próximo encontro agir com normalidade, fazendo de conta que tais propostas nunca existiram. 

Se por um acaso uma das partes dá azo à sua humanidade e desenvolve sentimentos do foro romântico, a questão complica-se. Assim, duas coisas podem acontecer. Uma delas é a outra pessoa também desenvolver afeições pela outra e é fantástico, melhor não podia acontecer e vivem felizes quase sempre (felizes para sempre é uma utopia na perspectiva da autora). A outra é que o(a) parceiro(a) não partilha dos mesmos sentimentos, ficando assim com uma paixão não correspondida, com um desgosto imenso e com a possibilidade do sexo nunca mais se concretizar.

Posto isto, nunca fodam com a mesma pessoa mais que duas vezes - a não ser que consigam ser frios e calculistas e colocar os sentimentos de lado. Sejam reservados, não dêem aso a grandes conversas - se o outro quiser falar finjam estar a dormir que a conversa acaba logo, não se permitam a almoços e jantares que possam acabar em conversas indesejáveis como as perceptivas para o futuro, gostos, passatempos, etc. Isso é logo o soar do alerta vermelho. Caso isso aconteça corram para a casa de banho, inventem uma desculpa, peçam a um amigo que vos telefone para vos tirar da situação o mais rápido possível. Outro conselho é ficarem algum tempo sem solicitar os serviços sexuais, para não dar espaço a dúvidas, mesmo que o sexo seja bom.

quinta-feira, 21 de janeiro de 2016

Rafaela II

Rafaela dera instruções à Clotilde, a empregada, para deixar a casa num brinco pois esperava convidados. Clotilde que nunca vira convidados naquela casa enorme, estranhou o pedido o qual atendeu, no entanto, imaginava: "Convidados... pois, pois, andas mas é com fogo na saia. Agora com estas modernices até nem me admirava que andasse com uma mulher. No meu tempo não havia nada dessas coisas. Cá mulheres com mulheres qual quê. Valha-me Deus. Também pode ser um homem. Se calhar é o assistente, passa tanto tempo no trabalho que só pode ser ele."
- Clotilde precisa de alguma coisa? - perguntava-lhe enquanto a via estática.
- Não minha senhora. - e assim se recolheu para os quartos onde tinha muito que fazer.
Rafaela estranhou o comportamento da velha mas não deu muita importância, a idade já lhe estava a levar a melhor, pensava.
Entretanto dirigiu-se ao quarto, abriu o armário, observando as roupas mais ousadas que tinha. Porém não as via, não tinha nada sensual para usar no encontro com Rodrigo. "Mas como fui dizer que sim àquele homem? Nem tenho o que vestir. Mas no que é que te foste meter. Estavas tão bem na tua rotina pacata e sem desvios." E suspirava.
- Estou? Daniel? Quero que me compres um vestido. Tenho um encontro esta noite e não tenho nada para usar.
- Ó minha querida. Como é que isso aconteceu?
- Daniel não comeces com as tuas coisas.
- Ai estou tão contente. Finalmente vais limpar as teias de aranha.
- Daniel por favor. E nada de comentar por aí. Já sei como és.
- Sigilo total Rafaela. Às quatro passo aí.
- Muito bem, vou mandar o motorista buscar-te.
- E não queres mais nada? Uma lingerie sensual, um lubrificante, talvez uns preservativos, que esses que tens aí devem ser do século passado.
- Daniel que exagero, mas já agora traz isso tudo - sorriu e desligou. Confiava no seu assistente que estava disponível 24 horas, sete dias por semana. Era isso que esperava de quase todos, pois assim o exigia a si própria.

domingo, 17 de janeiro de 2016

Na escuridão

Ontem no escuro do cinema, tu vieste ao meu encontro. Chorei porque não estavas a meu lado, era apenas o meu desejo que te fazia estar ali. A escuridão foi minha testemunha e imaginei-nos abraçados. A minha cabeça estava encostada à tua e ali permanecemos até ao final do filme. Quis ter-te mas não te sentia. Quis beijar-te, porém os teus lábios já lá não estavam. A escuridão foi minha companhia até casa e quando os olhos fechei a luz apareceu.

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Catarina e Rodrigo II

Catarina e Rodrigo apresentavam-se na festa como amigos, no entanto eram mais do que isso. O clima aquecia não na sala e sim dentro deles. Um calor que mal conseguiam controlar à medida que o tempo passava e não podendo tocar um no outro, assim que a oportunidade se apresentou perante os mesmos, não pensaram duas vezes, enfiaram-se na limusina e de lá não saíram tão cedo. Rodrigo beijava-a furtivamente como se quisesse beber todos os sucos contidos nela e Catarina sentia o ar a fugir-lhe no meio de tanta sofreguidão. Colocou-lhe a mão entre as pernas puxando as meias pretas para poder sentir o calor e os sucos deliciosos que vinham dela. O motorista fazia de conta não ouvir os gemidos de prazer de ambos ao longo da viagem, tinha de manter o profissionalismo acima de tudo, sendo que de Lisboa fora para Cascais fazendo tempo para consumirem o acto.

Catarina arrancava-lhe a camisa, fazendo saltar os botões, surpreendendo-o por aquele acto totalmente inesperado e cheio de vontade. Beijava-o, colocando-se em cima dele sentindo-lhe o ritmo acelerado e o pénis bem duro à espera de ser lambido e chupado. Despiu-lhe as calças e começou a degustar aquele manjar dos deuses que sempre a fazia suspirar por mais, enquanto Rodrigo desapertava-lhe o vestido e lhe acariciava os seios agora libertos e sedentos de toque.

As ondas do mar batiam contra as rochas num ritmo que competia com aqueles corpos ávidos de sexo. Rodrigo puxou-a para si, sentando-a no seu pénis quente, rosado, duro. Sentiu aquela vagina molhada, quente e apertada. Esboçou um sorriso de prazer enquanto beijava aqueles lábios vermelhos doces. Sentia-a mudar de ritmo, ela estava no comando e adorava quando assim era. Deixava-a deleitar-se no seu corpo, enquanto observava os seios baloiçarem de um lado para o outro. Era uma visão simplesmente divinal ter aquele corpo escultural ali à sua mercê, enquanto o mundo estava completamente alheio de tudo o que se passava naquela viatura.

- Queres mais? - perguntava-lhe Rodrigo adivinhando-lhe a resposta.
- Quero. Quero mais. Quero... tudo. - sussurrava-lhe ao ouvido entre gemidos.