Quando o ciúme se infiltra em nós, temos duas opções: ou o controlamos e criamos o tal "ciúme saudável" ou deixa-mo-lo tomar contornos próprios que podem detonar a qualquer momento.
Se amamos alguém é legítimo sentirmos ciúmes das eventuais pessoas que a possam rodear com elogios e olhares? E se sim, até onde pode ir esse sentimento? Quanto mais ciumentos, mais amamos? Ou somos daqueles que não temos qualquer ciúme, porque a confiança no parceiro/a é imensa? Se vamos na rua e verificamos que o nosso parceiro é olhado com desejo qual é a nossa reacção?
Como é normal, todos lidamos de formas diferentes a um estímulo, de acordo com o ambiente em que crescemos, do que nos envolve, das experiências que vamos tendo ao longo do tempo. Uns ficarão contentes por o seu parceiro ser motivo de olhares sedentos de desejo, outros há que questionam o porquê daqueles olhares, suspeitando logo que existe um caso com aquela pessoa que passava ali ao acaso.
Se amamos o outro pode ser legítimo sentirmos ciúmes, porque no fundo somos egoístas e queremos aquele objecto de desejo só para nós. Qualquer conversa, gesto, troca de olhares, etc., faz-nos entrar em modo primitivo e queremos proteger o nosso território.
Depois, outros existem em que a confiança no outro é tal que não sentem essa necessidade de possessão, esse ciúme de controlar telemóveis, chamadas, horários, etc. No entanto, há parceiros que se sentem mal amados pelo outro não mostrar qualquer ciúme. No fundo somos todos um mundo por explorar, cheios de incompreensões, de inseguranças e confianças, de desejos e possessões.
Gostamos de ver o nosso parceiro a ser desejado, até porque isso inconscientemente mexe com a nossa sexualidade, com o desejo do outro e dos outros por nós, há todo um jogo de sedução que pode ser bom quando fica apenas pela sedução e nada mais. Claro que há casais que gostam de seduzir e ser seduzidos e concretizar essas seduções, mas isso fica para uma próxima crónica.






