terça-feira, 8 de março de 2016

Fruto proibido

Vejo-te como o meu fruto proibido. Eu provoco-te, tu provocas-me e andamos neste jogo de sedução até um de nós se atrever a concretizar aquilo que sabemos querer. Sou uma jogadora exímia neste jogo a dois. As regras fazemo-las nós. Posso decidir se me beijas no pescoço ou nos lábios cheios de desejo. Podes pensar em ter-me mas sou sempre eu a detentora da palavra final. Os nossos toques são propositados, os nossos cheiros misturam-se numa atmosfera de sexo quente, de corpos ávidos por mais, por exaustão, por carinho.
Os teus olhos verdes pedem-me mais, contudo deixo-te jogar sozinho até uma próxima vez que nos
encontremos no mesmo sítio com os mesmos desejos e intenções. Com toda a paixão que nos faz quem somos. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

Mais do que um café

Escrevo calmamente no conforto de casa e de repente vens ao meu encontro, à minha lembrança. Abano a cabeça na esperança que te vás. Aplico a minha concentração no teclado e no monitor. O texto fluí naturalmente e mais uma vez sem avisar lá vens tu e decido render-me. Afasto-me da secretária, deito-me no sofá com o corpo totalmente relaxado e pergunto-me o que estarás a fazer neste momento.  Recordo os traços do teu corpo, a vontade que tenho de me embrenhar nos teus braços fortes. O desejo de enfeitiçar esses olhos verdes com traços de malvadez. Imagino-me a dançar para ti de uma forma bem sensual, daquela forma que só eu sei e que te deixa louco. 
Recebo uma mensagem tua. Decido desafiar-te para um café. Tu acedes sem saber o que te espera... 

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Quando 1+1=3



Quando não somos os únicos na equação ou aceitamos ou não. 
A verdade é que muitos passamos por esta situação. Pensamos que apenas nós somos o objecto de amor da pessoa que mais gostamos e quando nos apercebemos, existem três pessoas envolvidas. 
De facto, há quem goste ou não se importe de partilhar o seu mais-que-tudo com outra pessoa, defendendo que essa situação faz crescer a relação e a rotina ficar longe.

E quando descobrimos que o nosso par, tem outro alguém?
Existem diversas formas de reacção. Uns fingem não saber e ignoram na esperança que o caso eventualmente acabe, outros confrontam a pessoa com a situação e esperam que dali saía algo positivo e a terceira pessoa seja "removida", outros há que mal sabem da questão entram em verdadeira ebulição e a relação acaba por terminar e mal. 

Assim, na minha visão acho que as pessoas devem ser abertas e honestas com a pessoa com quem estão e comunicar. Digam o que querem. "Olha eu gosto de ter várias pessoas ao mesmo tempo, o que achas disso? Eu já tenho outra pessoa e quero-te apenas para uma aventura inconsequente." Ou então: Olha amor gostava de apimentar a nossa vida sexual, que tal experimentarmos swing? 

Claro que existem várias formas de apimentar a nossa vida sexual, há que comunicar aquilo que se quer, quando e com quem se quer.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2016

Quentes pensamentos


Estavas à minha frente e enquanto falávamos, concentrava-me na forma doce dos teus olhos e na tua boca delicada enquanto falavas divertido sobre as peripécias de quando eras mais novo, quando cometias loucuras por prazer e despreocupação.
Concentrei-me ou desconcentrei-me tanto que imaginava como seria fazer sexo contigo. Como é que era o teu corpo por baixo das roupas que apresentavas. E como é que me devoravas? Tiravas-me a roupa ou deixavas que me despisse para ti? Seguravas o meu corpo com firmeza e beijavas todos os cantos sedosos e perfumados do meu corpo? Sentiria as tuas mãos percorrerem até a minha alma de tão profundo o teu toque? Farias-me gemer de prazer?

E nestes pensamentos apanhas-me distraída chamando-me à atenção. Corei como se me tivesses descoberto todos estes pensamentos quentes envolvendo-te. Bebi um gole de vinho fresco na tentativa de acalmar o calor que sentia pelo corpo.
Continuámos a falar e o calor nunca desapareceu.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2016

Quando queremos e não temos

Quando não queremos admitir que aquilo que temos é nada, é vazio, sem substância.
É difícil admitir que aquela pessoa por quem estamos apaixonados não nos devolve o sentimento. É triste, magoa e não é fácil de reconhecer.
Era tão mais simples se todos por quem nos apaixonamos sentissem o mesmo. Quantos desgostos eram evitados se essa crença fosse real?

E tudo isto é visto a olho nu. Qualquer pessoa irá compreender o que aqueles dois pretendem: um quer sexo, e o outro quer sexo e amor. Ora estas duas combinações normalmente
não dão certo. Quando as expectativas de um não concretizam as do outro, a vida corre para o sítio errado.
Não é que isto seja um drama, ou que nunca tenha acontecido a mais ninguém, a verdade é que este tipo de situações traz sempre ensinamentos, ilações que podemos tirar de todo este desgosto amoroso. No entanto, à luz do presente nada dessas ilações são tidas em questão. Julgamos erradas as opiniões que fazem de nós, ou simplesmente ignoramos.

Vamos dando desculpas a nós mesmos. Dizemos que daqui a um mês vai ser diferente, que daqui a dois meses será melhor, que é naquele mês que o outro me vai ver de diferente modo, que a paixão vai aparecer. Ele/Ela não está apaixonado por mim porque sofreu, porque tem medo, porque é muito cedo, que cada um tem o seu tempo. 
E o tempo passa, a esperança desvanece, a paixão fica e o outro vai. E quando vai percebemos que o tempo gasto não teve substância, que apenas foi uma ilusão da mente, cultivada por nós dia após dia.

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2016

Ciúmes há muitos!

Quando o ciúme se infiltra em nós, temos duas opções: ou o controlamos e criamos o tal "ciúme saudável" ou deixa-mo-lo tomar contornos próprios que podem detonar a qualquer momento. 
Se amamos alguém é legítimo sentirmos ciúmes das eventuais pessoas que a possam rodear com elogios e olhares? E se sim, até onde pode ir esse sentimento? Quanto mais ciumentos, mais amamos? Ou somos daqueles que não temos qualquer ciúme, porque a confiança no parceiro/a é imensa? Se vamos na rua e verificamos que o nosso parceiro é olhado com desejo qual é a nossa reacção? 

Como é normal, todos lidamos de formas diferentes a um estímulo, de acordo com o ambiente em que crescemos, do que nos envolve, das experiências que vamos tendo ao longo do tempo. Uns ficarão contentes por o seu parceiro ser motivo de olhares sedentos de desejo, outros há que questionam o porquê daqueles olhares, suspeitando logo que existe um caso com aquela pessoa que passava ali ao acaso. 

Se amamos o outro pode ser legítimo sentirmos ciúmes, porque no fundo somos egoístas e queremos aquele objecto de desejo só para nós. Qualquer conversa, gesto, troca de olhares, etc., faz-nos entrar em modo primitivo e queremos proteger o nosso território.

Depois, outros existem em que a confiança no outro é tal que não sentem essa necessidade de possessão, esse ciúme de controlar telemóveis, chamadas, horários, etc. No entanto, há parceiros que se sentem mal amados pelo outro não mostrar qualquer ciúme. No fundo somos todos um mundo por explorar, cheios de incompreensões, de inseguranças e confianças, de desejos e possessões.

Gostamos de ver o nosso parceiro a ser desejado, até porque isso inconscientemente mexe com a nossa sexualidade, com o desejo do outro e dos outros por nós, há todo um jogo de sedução que pode ser bom quando fica apenas pela sedução e nada mais. Claro que há casais que gostam de seduzir e ser seduzidos e concretizar essas seduções, mas isso fica para uma próxima crónica.

sábado, 6 de fevereiro de 2016

Rafaela III

A noite caía na cidade. O trânsito estava agora mais calmo, ao contrário do ambiente na casa de Rafaela que se adivinhava turbulento e quente, muito quente. A campainha toca e Clotilde abre. Daniel aparece com um facto cinzento de cor elegante, camisa branca e sem gravata. O cabelo curto e com um pouco de gel fazia os encantos dos seus "amigos". Dirigiu-se à sala com o andar confiante que lhe era tão característico. 
- A senhora está à sua espera no terraço. - anunciava Clotilde ao mesmo tempo que preparava as suas coisas para ir embora. 
- Daniel ainda bem que vieste - e com um gesto mostrava-lhe a cadeira e oferecia-lhe um copo de vinho que foi aceite com agrado. 
- Minha querida tenho aqui as coisas que me pediste.
- Espera um momento... Clotilde já está a ir? - anunciou para que Daniel não falasse nada até que a velha se fosse embora.
- Sim minha senhora, precisa de mais alguma coisa? - perguntava curiosa enquanto tentava vislumbrar o que se encontrava no saco.
- Não, pode ir, e não se esqueça que amanhã não preciso dos seus serviços.
- Até depois então. Sr. Daniel, senhora. - e assim desapareceu a sua figura com ânsias de querer ficar para ouvir a conversa.
- Se pudesse ficava a ouvir a conversa atrás da porta - brincava Daniel e os dois riram-se cúmplices. 
- Bom, mas vamos ao que interessa, o que é que me trouxeste?
- Prepara-te minha linda que o homem quando te vir vai-te devorar em segundos. Isto aqui é um lubrificante espectacular - sim já experimentei - estes preservativos com sabores que são uma delícia e esta lingerie.... Rafaela esta lingerie vai-te transformar numa mulher devoradora de homens. E ainda falta uma coisa.
Daniel levanta-se e alcança uma caixa cinzenta com um laço preto que deixa a amiga curiosa.
- Hum... isso será... o vestido? - pronunciava com desejo.
- Uma grande amiga minha, designer de moda, ofereceu-mo quando te falei de ti. Parece que tens uma fã, ficas-lhe a dever uma.
- Vou pensar no que posso fazer por ela. Agora deixa-me ver.
Abriu a caixa, passou as mãos pelo tecido suave como seda. Admirou a cor preta e a abertura nas costas. Era magnífico de facto.
- Agora tenho de me arranjar, se não te importas.
- Claro, não te incomodo mais. Desfruta.
Assim que Daniel saiu, Rafaela dirigiu-se ao quarto, despiu-se, espalhou uma agradável loção no corpo, vestiu a lingerie e olhou-se ao espelho, reparando nos seus seios modelados por aquele tecido que acabará nas mãos de Rodrigo. Colocou o vestido, perfumou o corpo, retocou a maquilhagem para ficar com um olhar forte e sensual e repara
na silhueta mais uma vez no espelho.
A campainha toca.
Percorre a casa até à entrada, fazendo soar o barulho dos saltos contra a madeira do soalho, e abre a porta. E ali à sua frente apresentava-se o homem ao qual consentiu uma noite de sexo.
- Estás lindíssima - dizia com desejo no olhar.
- Tu também. - e esboçava um sorriso tímido.
- Aceitas um copo de vinho?
- Claro.
Levou os copos e a garrafa até ao terraço e sentaram-se, contemplando a vista para a cidade. Situado no último piso do edifício, o barulho era quase inexistente.
À medida que os copos iam ficando vazios, os corpos iam-se soltando até Rodrigo aproximar a sua boca da de Rafaela e beijar aqueles lábios suaves e carnudos a pedirem para serem beijados. Foi um beijo intenso, furtivo.