Beijava a tua boca e nada. Sentia o teu corpo e um vazio invadia-me. Tu não eras aquilo que queria. Estava a enganar-me a mim própria. Não eras tu que me fazia falta era outro. Não eram os teus olhos verdes que buscava na escuridão do meu quarto, eram os olhos castanhos cor de mel que me perseguiam. Era a firmeza desses olhos que buscava. O amor que sentia por ele não estava em mais lado nenhum senão nele. Ansiava que fosse mentira, que o vazio desaparecesse mas não desapareceu. Senti a falta de sentido daquele acto falhado, senti o coração gélido e a razão fora de mim.
Podia afastar-me. Tentava encobrir-te, porém eras tu que me completavas. fechava os olhos e via-te diante de mim. Estremecia apenas com as tuas palavras ou simples olhares. Mexias comigo para o bem e para o mal.
Queria que saísses de mim. Que a minha pele não se arrepia-se ao teu toque. Que a minha boca não suspirasse o teu nome. Que os meus pensamentos não te encontrassem. Mas era tudo em vão.
Quando o coração quer nada o detém, nada o pára. Só mais tarde, muito mais tarde percebi.






