sábado, 11 de junho de 2016

Amor em cetim

Descansava entre os lençóis de cetim quando vieste até mim. Sorri por sentir a tua presença, por sentir o teu corpo tão próximo do meu. Enrolaste-te em mim. Sentimos o nosso amor no ar e mantivemo-nos assim, apaixonados, e deixamo-nos adormecer nos braços um do outro. "Eu estou aqui" - dizias-me ao ouvido, enquanto permanecia naquele mundo que criámos para os dois. 

terça-feira, 24 de maio de 2016

Caminho de espinhos

É como se diante de mim se apresentassem espinhos sobre o chão, o qual tenho um desejo mórbido de pisar. Não sei porque o desejo. Não sei porque tento pisar os espinhos quando vejo outro caminho. Talvez seja o masoquismo dentro de mim que me impede de alcançar outro caminho. Talvez a coragem me falte. Quiçá a ambição não me chegue.

sexta-feira, 6 de maio de 2016

Não é para ti é para mim

Se escolho vestir lingerie é para mim, para me sentir sensual, bonita. Se me maquilho faço-o por mim, não por ti. Por favor não confundas amor próprio com subserviência.

sexta-feira, 29 de abril de 2016

A terra que nos junta e separa

Meu amor, queria tanto que estivesses agora nos meus braços. Queria que a terra que nos separa e rodeia sucumbisse nas profundezas do mundo. 
Desejava respirar o mesmo ar que agora te circunda e penetra. Esse ar outrora errante segue nas tuas veias, enche os teus pulmões e dá-te a vida que desejo minha. 

Queria-te em vida, em mim, sobre mim e em todas as formas de existência às quais o nosso amor está destinado. Persigo esse ar na esperança de te encontrar. 
Talvez a ilusão me permita a proximidade que tanto anseio. 

E no entanto, enquanto os meus pensamentos te perseguem, tu voltas, voltas para mim e fico no abraço que me dás. 

domingo, 17 de abril de 2016

Pantera

Aquela mulher tinha todo um charme, um poder de sedução, um corpo que nem todos os homens aguentavam. Nem todos tinham pedalada para o ritmo dela. Era como um gato a competir com uma pantera. Por mais tentativas que fizesse, o gato nunca ultrapassaria a pantera.
E ela, ela era um lince. Quando andava todas as curvas daquele corpo majestoso rolavam numa sedução incomparável. Os olhos castanhos seduziam e intimidavam. Sabia quais os homens que melhor a satisfaziam. Gostava de exibir os seus movimentos na pista de dança e excitava-a o facto de tê-los a olhar para ela. Satisfazia-a ser o centro das atenções. Ansiava pela escuridão da noite, quando estaria na cama de um homem que a sabia satisfazer até quando lhe apetecesse. Fervia com o toque dumas mãos firmes. Entrelaçava as pernas naquele corpo que a mantinha no auge. Perdia-se quando percorriam a língua ao longo do seu corpo. Suspirava desejos aos ouvidos daqueles que tinham o privilégio de estar com ela. Era sagaz, bonita, inteligente e deveras saborosa. Não dava oportunidades a casos falhados ou com poucas chances de sucesso. Era cruel na rejeição. Tinha de o ser. 

A suspensão

Helena tinha o dedo suspenso na direcção do ecrã do telemóvel. Seleccionou o nome do Roberto e abriu o separador das mensagens. "Oi Roberto tudo bem? Amanhã queres combinar algo?...". Pensou naquilo que escrevera. Porque haveria de mandar aquela mensagem para ele? De certeza que a ia ignorar, ia ser frio como era o seu hábito. Decidiu apagar a mensagem. O homem por quem se apaixonara só estava interessado em ir para a cama com ela. Quando ele queria, às horas que melhor lhe aprazia. Era assim e Helena devia acostumar-se à ideia.

terça-feira, 12 de abril de 2016

Não me queiras como eu te quero

Desta vez o texto que vos apresento não é da minha autoria mas sim da blogger Sónia Cardoso de quem gosto bastante. Assim fica o texto dela, espero que gostem.

"Não me queiras como eu te quero. Não queiras conhecer o desejo. Não queiras conhecer a obscuridade. Não queiras conhecer os pensamentos. Não queiras conhecer as ações. Sabe tão bem e tão mal. A adrenalina é um vício. A montanha russa é uma rotina. A paragem é uma dor. Conhecer-te sabe tão bem e tão mal, por isso não queiras conhecer-me.   Não me queiras como eu te quero. Não queiras conhecer as manias. Não queiras conhecer os passos. Não queiras conhecer o toque. Não queiras conhecer o beijo. Sabe tão bem e tão mal. O calor é um vício. A confiança é uma rotina. A entrega é uma dor. Conhecer-te sabe tão bem e tão mal, por isso não queiras conhecer-me. Não me queiras como eu te quero. Eu quero adrenalina, montanha russa e paragem. Eu quero calor, confiança e entrega. Não digas que me queres como eu te quero. Ambos sabemos que isso não é verdade."